Uma visão anarquista: as instituições não nos ensina a solidariedade

Motoboys e motociclistas se unem para distribuir café e comida nas ruas de Petrópolis — Reprodução: CNN Brasil

Eu acredito, assim como Emma Goldman, que o Estado sendo uma autoridade organizada e com objetivos de se manter nessa posição serve apenas para manter a proteger o monopólio e a propriedade privada.

Sendo assim, o Estado não nos ensina o que é ajuda em prol de interesses coletivos que beneficiará o individuo. Ou seja, bem como diz Emma Goldman, “não pode haver liberdade no sentido largo da palavra, nenhum desenvolvimento harmônico, enquanto considerações mercenárias e comerciais atuam um papel importante na determinação da conduta pessoal.

Isso significa que enquanto estivermos agindo por benefício próprio, estamos colaborando nada mais e nada mesmo com o status quo (estado das coisas), que é organizado pelo Estado. Aqui podemos ir até ao conceito de humanidade, que na visão anarquista, de um comunismo livre de Estado, seria entender que qualquer individuo tem que ter acesso a todos os direitos, não será preciso um Estado regulamentando o que é humanidade e o que não é humanidade. Essa prática colabora com violências punitivistas, pois o Estado nos fornece quem é mais “humano” e quem é “menos humano”. Observe as discussões sobre a redução da maioridade penal. Também é interessante notar que a grande maioria dos crimes discutidos que ganha um tom de “crime contra a humanidade” são crimes contra a propriedade, que têm suas raízes em nossas iniquidades econômicas. Ou seja, o Estado, ao punir um individuo, está, sobretudo, protegendo a propriedade. A discussão aqui pode se estender a casos de estupro, mas podemos falar disso em outro momento, porque exige um olhar junto à teoria feminista.

Um exemplo atual de autogestão e solidariedade coletiva é o que vem acontecendo em Petrópolis. Em busca de ajudar famílias que perderam seus entes queridos, ajudar também o corpo de bombeiros e todas as envolvidas, a comunidade, principalmente os motoboys e motociclistas, se uniram para distribuir café e comida nas ruas de Petrópolis. O Estado nesse momento faz uma blitz para averiguar os documentos de motoboys e motociclistas, ou seja, o Estado está, de certa forma, dificultando a autoajuda genuína que se instalou ali devido ao momento que todos estão passando.

“Eu tenho uma casa de festa e ele tem uma oficina e a gente resolveu sair e ajudar quem tá trabalhando né, que às vezes fica esquecido e que é uma batalha, tá sendo bem difícil. Temos café, salgadinho e lanche pra dar energia pro pessoal”, disse ele (motoboy) à CNN.

Mas uma vez afirmando que o Estado não nos ensina sobre solidariedade livre. O que as instituições nos ensinam, seja qual for, é agir de forma que beneficie, essencialmente, a própria instituição e que faça com que ela não perca “esse poder” de ser uma autoridade organizada que nos ensina o que é humanidade e solidariedade.

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